Sábado, Junho 18, 2005

ORVALHO

Entre lençóis de flores e frutos,
Saciou esse orvalho os desejos do meu corpo
Feito flor e aberta romã
Num tempo de sabores frescos de algas sabidas
(agora só adivinhadas)
Imaginadas em danças e entregas
Num mar aqui tão perto, mas tão distante…
Num tempo de aromas de jasmim e hortelã
Num tempo de azul, enfeitado de brilhos conhecidos
(agora apenas sonhados)
Qual bailado de espuma, sorvidos pelo areal…

E ali,
Entre lençóis frios e assépticos
(como se não fora meu)
Vejo o meu corpo, desejando, palpitando e sentindo
Sonhar um tempo de aromas e sabores de estrelas de hortelã
Sonhar volúpia de danças nos braços de azul
Mordendo algas
Vestindo bordados de espuma.

E dali,
Se ergue
E volta a ser
O corpo meu.