( Caminhos de Novembro num dia especial )
A estrada, qual gigantesca serpente brilhante, deixava-se percorrer, revelando em cada curva um espaço novo, dificilmente adivinhado.
De um e de outro lado, iam ficando para trás aromas de azinho e oliveiras os quais, graças às recentes chuvas, se erguiam do tapete verde que elas lhes devolveram.
O vermelho e o ocre da terra da planície seca e baça deixavam-se cobrir de um verde rasteiro qual musgo aveludado.
Surgiram os pinheiros com todo o aconchego das suas copas redondas.
E a terra não era mais terra mas sim areia, devolvendo o brilho dos últimos raios de sol de Inverno.
Aproximavam-se as gaivotas, quais arautos de um azul diferente, único.
Azul murmurante de carícias e palavras que poucos entendiam.
Palavras claras e castas.
Palavras que não precisam dizer-se , pois se adivinham nos olhares cruzados de Sul a Norte.
Olhares de sal e sol de que somos feitos, numa fusão rara de seres que se sabem e sabem da paixão que se anuncia, que passa, mas que fica e retorna em cada curva do caminho...
![co00151b[1]](http://static.flickr.com/34/64809866_d3e8d9a7ec_m.jpg)
...surpreendendo e maravilhando (mesmo os mais avisados) com este fenómeno tão raro que a curva do caminho nos oferece, criando um pretérito quase perfeito.
![Bruma[1]](http://static.flickr.com/27/63662755_7f2b62637c_m.jpg)
![detalhes_escada-corda[1]](http://static.flickr.com/27/62119820_581c0af45c_m.jpg)



