Segunda-feira, Novembro 28, 2005

PRETÉRITO QUASE PERFEITO
( Caminhos de Novembro num dia especial )

A estrada, qual gigantesca serpente brilhante, deixava-se percorrer, revelando em cada curva um espaço novo, dificilmente adivinhado.
De um e de outro lado, iam ficando para trás aromas de azinho e oliveiras os quais, graças às recentes chuvas, se erguiam do tapete verde que elas lhes devolveram.
O vermelho e o ocre da terra da planície seca e baça deixavam-se cobrir de um verde rasteiro qual musgo aveludado.
Surgiram os pinheiros com todo o aconchego das suas copas redondas.
E a terra não era mais terra mas sim areia, devolvendo o brilho dos últimos raios de sol de Inverno.
Aproximavam-se as gaivotas, quais arautos de um azul diferente, único.
Azul murmurante de carícias e palavras que poucos entendiam.
Palavras claras e castas.
Palavras que não precisam dizer-se , pois se adivinham nos olhares cruzados de Sul a Norte.
Olhares de sal e sol de que somos feitos, numa fusão rara de seres que se sabem e sabem da paixão que se anuncia, que passa, mas que fica e retorna em cada curva do caminho...

co00151b[1]

...surpreendendo e maravilhando (mesmo os mais avisados) com este fenómeno tão raro que a curva do caminho nos oferece, criando um pretérito quase perfeito.

Terça-feira, Novembro 15, 2005

AINDA O RIO

Bruma[1]

Além da bruma que se solta do Tejo
e apenas deixa adivinhar contornos da outra margem ... palpita vida

Bruma que esconde, quem sabe, belezas ignoradas por aqueles que não sabem ver mais além ...
ou não querem...
por ser mais fácil ver o que é deliberadamente mostrado ...

Nasce de cada bruma uma mulher distante que espera um olhar que a desnude e a descubra.
um olhar que rasgue a fronteira
um olhar sereno de quem se sabe e quer saber os outros
um olhar que sabe/saboreia a queda da máscara
revelando uma mulher
única
especial
não mais parecendo, mas enfim sendo

Sexta-feira, Novembro 11, 2005

LIVRO de NÓS

detalhes_escada-corda[1]

De nós se fazem escadas
Que alcançam o Infinito
Quais nós,
A duas mãos entrelaçadas,
O livro será escrito...

Porque de TU e EU nasceu um NÓS,
só faz sentido o livro
se escrito a duas mãos

Quarta-feira, Novembro 09, 2005

DORS

69526main_spitzer-110904-478-352

Quand l'air de Paris était paisible

Dors, mon amour...
Tu te souviens encore de la magie du temps?
Du secret de nos jours?
Du secret de nos fleurs?
Et de nos moindres gestes?

Dors, mon amour...
Tu te souviens encore de Mai 68?
Sartre, Gréco, tous les bohèmes, les artistes...
Les ponts de Paris rêvés de moi?
Les ponts de Paris par nous deux parcourus?

Dors, mon amour...
Les airs de Brahms, Verdi, Wagner, Mozart
Nous accompagnent dans notre lit de fleurs...
Je les écoute dans mon coeur.
Mon corps écoute le tien...

Dors, mon amour...
Fais des rêves de moi
Fais des rêves de nous
Le calme, le silence, la magie, la passion
À nous deux appartiennent.

Dors, mon amour...
Je suis là
Et je t'embrasse.

Sábado, Novembro 05, 2005

HOJE e SEMPRE
O
SONHO

CÉU ESTRELADO

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

VIAGEM

BARCO DE LETRAS

Libertei-me dos cinzentos odores da cidade, aqui e ali salpicada de verdes miragens.
Despi-me de sentires, de pensamentos, de palavras gastas e usadas, de metáforas.
Lancei-me ao rio, desnudada, num barco de papel feito de letras.
Segui viagem, rumo ao desconhecido... ou talvez rumo aos primórdios..., ou ainda rumo ao sonho... ávida de inventar palavras novas.
Atingi o azul, sem saber como.
O barco desfez-se, mas restaram as letras.
M
A
R
Virei peixe e alimentei-me de letras-algas.
Enebriada de aromas salinos, azuis, esverdeados descobri de novo a letra A.
Sonhei, então, a palavra AMAR.