
De repente
Foi de repente
Como um sopro gélido
De mãos vazias
(desfeitas as pétalas das flores que me ofertaste)
O olhar sem o brilho
(das estrelas que um dia me mostraste)
Apenas com aquele
Que as lágrimas lhe emprestam
Assim fiquei.
Partiste
De repente
Qual tornado que se forma
Sem aviso
E tudo arrasta
À sua passagem.
Partiste
Do amor arrastado
Na vastidão do nada
A brasa
Fez-se gelo
O fogo
Fez-se cinza
Que o vento espalhou
No tempo
E uma furtiva lágrima
Rolou por um rosto
Sem expressão
Soltando-se no turbilhão
Das emoções do mar
E fez-se espuma
Lambendo o areal
Outrora testemunha
De um amor
Supostamente eterno.

13 comentários:
sou uma descrente, helena. tudo é efémero, não sendo o afecto excepção.
não gosto de memórias, mostram-me uma realidade 'irreal'.
hoje estou 'fechada', eu sei...
beijinhos, querida amiga.
Minha linda, de facto, as memórias(mesmo as boas) fazem com que nos recordemos de algo que já não possuimos...
Quanto aos afectos, também concordo contigo.
A eternidade é algo que desconhecemos, que talvez seja apenas uma ideia feita...
Beijinho azul, amiga
É muito bom partir e deixar atrás uma enorme saudade. É bom saber que partir é ir chegar a um novo ponto cheio de esperança. Beijinhos
Helena,
O mar continua confidente e irmão na dor. O mar também é renovação.
Texto cheio de sentimento, assim como se as palavras pudessem preencher algo.Mas não podem, só o tempo.
Um beijinho
Que lindo!!!
A saudade "de um tempo ausente", como diziam os 7ª Legião...o tempo já não volta atrás...apenas caminhamos para um fim que gostava de acreditar que seria um novo e belo inicio.
Beijinhos
O amor puro fica sempre dentro da caixinha magica...o coração. Será sempre eterno...
Mas a dor que deveras sentes vai passar a ser alegria por um dia teres amado e por teres sido amada.
O amor é como as ondas do mar...
bjs
Ulysses
Essa é a melhor forma de encarar uma partida, seja qual fôr a sua natureza.
Fica a saudade, sobram-nos as memórias, mas acompanha-nos a esperança de um recomeço.
Viver, é isso mesmo: partir, chegar, partir...até à derradeira partida que é, ela própria, uma nova chegada.
beijinhos
Querida Laerce,
O mar /la mer/la mère - vistas e entendidas as analogias - desde as águas primordiais, é, de facto , o nosso princípio, o nosso confidente e o nosso mestre.
Ensina-nos o princípio e o fim
Mostra-nos a renovação.
Beijinhos, amiga
Piedade, generosidade a tua!
Logo tu, que escreves textos tão maravilhosos...
Obrigada
Beijinho
Querido filho,
É verdade!
Ficam as saudades , as memórias de um tempo ausente, mas presente, de cada vez que o recordamos.
Mas o caminho que ainda havemos de trilhar de certeza será , em cada dia, um renascer melhor.
Beijinho doce da tua mãe.
yinyang
Espero receber -te mais vezes aqui, neste cantinho, onde me desvendo, onde o riso e o sorriso se misturam com as lágrimas. Onde , por vezes conto histórias, enfim, onde escrevinho o que me vem à cabeça.
As tuas palavras sensíveis e acertadas emocionaram-me, pois ficaram no meu coração.
O mar...essa tua referência ao mar que tanto amo e que, tantas vezes, é testemunha dos meus sentimentos.
Obrigada.
Beijos
Estou totalmente de acordo contigo.
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