Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

MARÉS


Navio_01[1]





quando?
como?
porquê?
tanto mar que se foi...
aquele mar revolto todo de Vida feito...
ondas que perderam força
mar de apartamento
mar que não é Mar
marés que já não voltam...
todo o cinzento e negro que nós somos
e no fundo do mar que não é Mar
o verde sepultado que nós fomos...

Sábado, Fevereiro 18, 2006

INTERVALOS

estrelas marinhas



Os intervalos entre as palavras
Não estão vazios
São preenchidos por palavras
Outras

São habitados por silêncios
Que seguem a luz da vela
Do sonho
Que os conduz aos rios
Ao mar

Onde as estrelas que me deste
Os sussuram aos meus ouvidos

Porque são nossos
E só nós
Os entendemos

Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

Ai flores, ai flores do verde pino

Que me perdoe D.Dinis, em particular, e todos os autores medievais, em geral, esta minha ousadia, intercalando os seus belos poemas com a minha literatura de cordel.


images[2]


__ Ai flores, ai flores do verde pino
Se sabedes novas do meu amigo?
Ai Deus, e u é?


pe0017i1[1]


Percorro campos
Pergunto às flores
Falo aos cardos
Dos meus amores…


__ Ai flores, ai flores do verde ramo
Se sabedes novas do meu amado
Ai Deus, e u é?

pe0017i1[1]


Aves do ramo
Que vedes longe
Onde está ele?
Diz-me, jasmim.
E tu, ó vento
Trá-lo de volta
Ao meu jardim.

__ Vós me perguntades polo voss’ amigo,
E eu bem vos digo que é sã e vivo.
__ Ai Deus, e u é?

pe0017i1[1]


Se vivo ele é
E não tem perigo
Que o mar o traga
P’ra nas estrelas
Viver comigo


NOTA: Quem conhece o sho-shana reconhece este texto que me deu muito prazer escrever.
Daí, repô-lo aqui , no Orion.