Sexta-feira, Março 31, 2006

... E O SONHO



ZÉ TÓ

... seguiu o seu caminho natural

abandonou a Terra e o Mar
<>
espalhando o seu murmúrio
pelo Universo...

ainda o escuto

na minha memória
e nestas mãos vazias
agora apenas minhas


Domingo, Março 19, 2006

O CASULO


casulo




casulo[1]




Segunda-feira, Março 13, 2006

DECLARAÇÃO DE ESPERA

Para que conste e se saiba
Para os devidos efeitos mais ou menos esotéricos
Para os sonhos mais ou menos eróticos
Para a fusão dos elementos FOGO, TERRA, AR e ÁGUA
esta última
apaziguadora da efervescência resultante dos outros três

Sou mulher... eterna menina

E espero

Fazendo e desfazendo a eterna tapeçaria.
Tapeçaria de palavras feita
E não de brilho das estrelas
Do lado oculto da Lua
Que nem todos enxergam
Mesmo voando alto na sua direcção.

Sexta-feira, Março 03, 2006

PEDRA


117659[1]
Foto de António Marques

"se há caminhos que nos levam para longe, também nos sabem trazer de volta
fica o medo, a saudade, e a vontade de fazer tudo outra vez.
onde o ir se confunde com o vir,
onde a tristeza da partida se mistura na alegria da chegada"
(autor desconhecido)

Apressado
percorres caminhos por outros caminhados


Absorto
pisas pedras por tantos pisadas
pedras vivas
pedras que contam histórias
milenares que tu não escutas

Irado
tropeças na pedra
que atiras com força para o riacho

a pedra caminha
a pedra tem vida
corre para o rio
e lança-se ao mar

É pois que retorna
por outro caminho
de ir e voltar
Contando as histórias de amantes secretos
pelo areal
na espuma das ondas
no vento
nos búzios
nas conchas
nas pedras

As histórias que escutas
alegre e triste

soltando o teu riso - derramando lágrimas
Aumentando o mar



Quarta-feira, Março 01, 2006

ROTAÇÕES

Em rotações brilham as estrelas


LV3Haoiiioi_r[1]


As estrelas não têm sombra e é nesse fulgor

que se ocultam. As palavras dizem-se a brilhar,
elas que se envolvem de penumbra

Em tempo de arrumações e mudança, redescobri o livro há muito guardado na prateleira.
Três poetas, que em afinidades raras e rara cumplicidade, dão vida a um livro...ROTAÇÕES.
António Ramos Rosa, sobejamente conhecido
Agripina Costa Marques, mulher (do) poeta numa revelação plena.
Carlos Poças Falcão, um jovem poeta amigo do casal.

***
Quando as figuras nas suas formas de silêncio
oferecem os flancos materiais e tranquilos
dir-se-ia que na pupila se condensa
em lentas flexões o inesgotável fluxo
a que chamamos amor ou felicidade ou vida.
E é como se as mãos nascessem das nascentes
e as vértebras de argila o coração guardassem
no equilíbrio da terra em que a sombra se doura.
E o tranquilo timbre que num espelho se acende
de sombra em sombra o ouro reflectisse
até que lustral o pensamento culminasse
na cristalina transparência da alma absoluta.
(António Ramos Rosa)
***
Serenidade do olhar__ apelo do mais fundo__
até à perfeita nitidez da percepção
Toda a agitação desordena a retina
torna difusas imagens em sobreposição
desfoca a sua intensidade singular.
E o equilíbrio só lentamente se refaz
por dentro do olhar: aí onde se tece a paz
o Lugar da harmonia e do repouso.
É quando vagarosa a atenção se dilata
e cada minúcia é uma dádiva de luz.
(Agripina Costa Marques)
***
De um lugar imóvel e com olhar sereno
talvez alguém contemple as trémulas figuras
e nelas bata a luz de modo a parecerem
altas e seguras. E o tempobusque as formas
preciosas. E o próprio olhar, fechando os olhos,
as possa modelar, tomar-lhes as perfeitas
qualidades. E à voz então inesgotável
baste um som apenas, uma palavra tensa.
E nessa forma do silêncio, nessa espécie
de cegueira, cara aos deuses, a realidade
seja um clarão solar, a rosa que se oferece
ao amor mais simples, no gesto mais humilde.
(Carlos Poças Falcão)
***
>