Terça-feira, Abril 25, 2006

NO INÍCIO ...



No início foi o verbo.
As palavras cruzaram seus caminhos. Palavras coloridas de arco-íris, mas inexplicavelmente, dominadas pelo azul do céu, do mar e dos rios que para ele corriam, lentamente , sem sobressaltos, caminhando nas estâncias ansiosas de se conhecerem.
No rio, as palavras eram o reflexo das estrelas e iluminavam a sua Jornada.
A urgência dos olhares foi tomando espaço, e, sem saberem como, o tempo fez-se parque verde brilhante, e às palavras juntaram-se os silêncio dos cúmplices olhares.
Não sabiam que a verdadeira caminhada começara naquele momento, ou talvez, noutro anterior àquele…Quiçá noutra galáxia.
Mas foi Aqui...



Ermida de Santa Clara



... que a sua Caminhada prosseguiu,
numa noite de céu escuro, em que se escondia a Lua, devolvendo às estrelas o brilho que outrora as reflectia no rio , com ele brincando e dizendo palavras coloridas.
Foi Aqui, neste local ermo, apenas por eles habitado, que a urgência
dos gestos
dos abraços
dos beijos
da entrega total
se mostrou mais urgente.

La paume des mains
Ayant le ciel
Comme unique témoin

E Aqui neste local julgaram construir o seu futuro, que mais não é que sonho, memórias e presente.


Quinta-feira, Abril 06, 2006

DA VACUIDADE DAS PALAVRAS



André Silva
foto de André Silva

esfumam-se no Espaço as palavras
cedendo o seu lugar
ao silêncio criador

Quarta-feira, Abril 05, 2006

CHOVE




chuva[2]

Chove
Espalham-se pelo ar
Os murmúrios das gotas
Os seus gritos
Magoados quando tocam o chão

Caminho pelos campos
Desnuda
Sem cobertas que me prendam
Mas não me vergo ao tempo
Como os velhos
Nem às memórias há muito esquecidas
Não me vergo à solidão
Não me vergo ao vento
Que sopra palavras
Que não entendo
Vergo-me apenas ao seu peso

Envolvo-me na terra
Fundo-me com ela
Deixo-me abraçar
Como por um amante
E tudo se torna claro
Brilhante e leve.

Escuto o silêncio
Do aroma da terra molhada
Fecundada pela chuva que cai
Escuto o silêncio
Prenhe das cores de que a terra se cobre.

Ergo-me
Também eu prenhe de luz
Agora renascida
Purificada
Entendo
Os gritos
Os murmúrios
As palavras
Que se soltam de mim
As palavras
Agora leves
Que a terra me segredou.

E chove ainda.
RÊVERIES



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Despojando-me de toda a vacuidade da matéria, aliando-me à chama e à sua natureza solitária, liberto o espírito dos pensamentos.
Mesmo sabendo que basta um ligeiro sopro para a extinguir, também uma breve faúlha a reacende.
Contudo, ao extinguir-se, é como um sol que morre, mas de uma forma mais suave, pois extingue-se dormindo, de um sono intemporal.
E “sonho”
Na chama da vela encontro todas as metáforas que o meu imaginário busca. Daí, questionar-me sobre o peso do saber adquirido nos livros, profusos em retóricas e dialécticas, comparando-o com os múltiplos pensamentos e as ilimitadas imagens que a chama da vela nos proporciona.
A sua verticalidade, o seu poder ascensional, a sua liberdade, transportam-me à essência daquilo que julgo ser, daquilo que a chama é, como se de um riacho se tratasse, dirigindo-se para o Cosmos.
E “sonho” .
Segundo Joubert, em Pensées, “La Flamme est un feu humide”, donde poderei inferir que ela é uma fonte de fogo, na sua vertente purificadora.
E “sonho”.
Mas continuo a questionar-me se o engenho do homem, disciplinando a chama da vela e tornando-a cativa na lâmpada, não a coarctou, diminuindo-lhe o potencial de imagens únicas e surpreendentes.

Terça-feira, Abril 04, 2006

PARTINDO-SE




LV3Haoiiioi_r[1]



Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém


Tam tristes , tam saudosos,
tam cansados, tam chorosos
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tam tristes os tristes,
tam fora d'esperar bem
que nunca tamtristes vistes
urtros nenhuns por ninguem

Joam Roiz de Castelo Branco

PORTO DE ABRIGO


imageMR5[1]

Quero um céu estrelado
em noite escura
sem presença da Lua
quero apenas ser tua
no porto de abrigo
dos lençóis
em desalinho
de amor
só o céu
as estrelas
tu e eu

abra[1]

Sábado, Abril 01, 2006

O SOL

UNA FURTIVA LAGRIMA


explosaosolar

A força da vida

A força do amor

Os olhares

As mãos

A explosão

Dos corpos unidos

Numa fusão única e rara


eclipse_parcial_sol_montaje_10-mayo-1994[1]
Lentamente
Foram surgindo velos
que parcialmente fizeram
dos meus olhos rios
e da urgência
da tua parte...
parcial afastamento
52217375[1]
MAS
um velo cobriu totalmente
a força da vida.
Sei que ela está lá
Adivinho-a
ainda sinto chegar a mim
Um terno afago